DE FATO ...

“Tenha paciência, Deus ainda não me terminou...

QUADRO DE AVISOS

"DUAS COISAS PRECISAM MUDAR URGENTEMENTE NO MUNDO, PARA QUE O MUNDO MELHORE: VOCE e EU !"

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

ROTULAR CRIANÇAS




“Como esta criança é agitada!! Não para nem um minuto sequer, ela só pode ser hiperativa!”. Você já ouviu esta frase alguma vez em sua vida? Notamos quantas pessoas têm realizado um diagnóstico antecipado de situações deste tipo, dando às crianças a conotação de um problema, sem que este exista.

A grande preocupação com nossas crianças está relacionada a atribuir rótulos, doenças ou diagnóstico naquilo que faz parte apenas do desenvolvimento saudável e também de uma geração que é, muitas vezes, mais “ligada e agitada”, respondendo ao ritmo que presenciam diariamente: com pais, na escola, nas informações, no uso de tecnologia.

Se antes as crianças assistiam tranquilamente a um desenho, depois iam brincar, e logo mais, ouvir música, percebemos que hoje elas fazem muitas atividades ao mesmo tempo.

Todo diagnóstico que indica qualquer tipo de doença deve ser feito com técnica e profissionalismo, incluindo não apenas a observação de um único comportamento isolado (por exemplo: agitação e energia para correr e brincar até tarde), mas de todo o contexto daquela pessoa. Um diagnóstico nunca deve ser precoce nem baseado numa desconfiança ou num “achismo”.

Medicar nem sempre é a melhor e mais adequada saída quando falamos, por exemplo, de uma criança que, mais do que “ativa”, está sim vivendo uma das fases mais bonitas da vida: ser criança.

Todos nós, sejamos ou não sãos, em várias situações da vida poderemos apresentar comportamentos estranhos ou reações exageradas diante de situações no cotidiano, o que não significa estarmos com alguma doença, nem que vamos desenvolver uma. Muitas reações podem ser apenas o reflexo de um momento da vida (perda de emprego, fim de um namoro, briga no trabalho ou na escola, etc.).

Mas, se mesmo assim, seu filho, seu irmão, sua filha, em seu processo de desenvolvimento, forem diagnosticados com algum tipo de questão, seja ela física, mental ou emocional, é importante que o primeiro passo a ser dado seja “não rotular”.

Rotular é dar àquela pessoa um valor menor ou maior por conta dessas limitações: “Meu filho não aprende porque é hiperativo ou porque tem dislexia”, “Ele nunca será um bom profissional”, “Sua limitação física não lhe permitirá alcançar a felicidade”.

Sabemos que os juízos de valor são usados no convívio na escola, nas relações com a família e até nas avaliações pelas quais passamos em toda a nossa vida, mas certamente esta não é a melhor prática, e é importante que possamos rever isso em nossa conduta e na educação dos filhos. Muitas vezes, a criança mal consegue manifestar suas habilidades e capacidades, porque já é desqualificada diante das demais pessoas.

Um exemplo prático disso é quando um aluno vai mal na prova; ele teve um baixo desempenho naquela prova, mas não significa que ele seja um fracasso ou que eternamente será um mau aluno. Nosso desenvolvimento depende de estímulos que são diferentes de pessoa para pessoa; um dos seus filhos pode ter maior habilidade para matemática, já o outro, para geografia, mas, mudando a forma de ensiná-los ou ajudá-los, ambos podem crescer em suas dificuldades e diferenças.

Não deixe que coisas simples de uma criança tomem uma proporção maior do que realmente são ou que antecipem problemas que nem existem. E mesmo que existam, que eles não sejam uma barreira, pois a vida oferece muitas chances mesmo diante das maiores adversidades.


* Temos que ter muito cuidado com isso, não acham???!!!

30 comentários:

  1. Manoel querido, penso que isso pode acontecer também com adultos não?
    Tenho visto tanta gente diagnosticando por ai.
    Ai ai.Bota tomar cuidado nisso.
    Beijinhos

    Lucia

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Lucia Luz, absolutamente certa. Tem chamado mais a atenção a situação da criança, todavia acontece e muito, com adultos.
      Beijo com carinho.

      Excluir
  2. Pois é meu amigo, estamos diante de um assunto bem complicado.
    A especialista autora do texto já disse tudo o que é preciso saber.
    O problema é aplicar...
    A gente vê tantos absurdos por aí, tantos pais fazendo diagnosticos dos filhos (para mais e para menos!) e falando tanta bobagem.
    Sabe o que acho? Que é muito dificil ser criança hoje.
    Os pequenos de agora são mesmo muito rotulados, e espera-se muito deles.
    Menos que sejam crianças felizes e sadias. E quando digo sadias penso em "cabeça boa" , alegria!
    Tenho pena dessa molecada que nunca vai jogar pião na rua de terra, nem nunca vai empinar pipa lá no terreno baldio.
    E as meninas que nunca vão fazer um fogãozinho (de verdade!) para cozinhar comidinha com suas amigas.
    A garotada de hoje pode ter muito mais tecnologia para brincar e se distrair. Mas nunca sentirão o prazer de caminhar na enxurrada depois da chuva, em uma rua de terra.
    Saudosista eu? Imagine só! estou apenas comparando.
    Beijos meu querido, tenha uma boa noite.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Ivani, inicio pelo saudosista. De jeito nenhum. Preste a atenção no que as escolas estão tentando fazer nas aulas de artes para as crianças. À excessão de andar na enxurrada, todas as "artes" que fazíamos ensinam para as crianças como aula de "criatividade". Quase sempre faço para a criançada uns barquinhos de papel e os coloco na água (nem que seja na pia do banheiro, rs). Na escola aprendem como se fosse "origami", mas ninguém coloca na água porque senão estraga o barquinho. A gente coloca porque se estragar, fazemos outro, e outro, e outro. Nós não temos pressa e nem somos preguiçosos. Aprendemos que o mundo foi feito para nós e não nós para o mundo. Esse é apenas um exemplo da criatividade que a gente desenvolvia com pipas, aviõezinhos,..., e muito mais.
      Infelizmente essa geração vai ter que aprender a ser criança senão vai ficar "velho rabugento" com 30 anos de idade.
      Viva a nossa mocidade, Ivani!
      Qualquer dia vou aí para Valinhos para a gente andar na enxurrada e matar saudades da infância construtiva que tivemos, rs...rs.
      Beijo no seu coração>

      Excluir
  3. Ótima postagem ! Eu sou professora e muitas vezes rotulamos pessoas e elas próprias se rotulam. Que possamos ter a sensibilidade de não ver as pessoas só superficialmente, mas que gastemos tempo para descobri-las. Abraços!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Puxa! Que comentário carregado de sinceridade. Adorei o seu depoimento. Deus a abençoe por isso. Que nos ajude a aprofundar mais o conhecimento das pessoas.
      Grande abraço.

      Excluir
  4. Eu vejo isso acontecer o tempo todo na escola em que trabalho. Se a criança apresenta um comportamento estranho, apático, eufórico, agitado, aéreo... tudo é motivo para encaminhar à equipe psicopedagógica. E haja alunos com limitações... No meu tempo nao tinha isso, cada um no seu ritmo, e so tinha dois diagnósticos: burro ou inteligente. Se isso era bom?? De jeito nenhum, mas ao menos o professor impunha mais disciplina e não se esbarrava em cada comportamento estranho que a criança tem. Afinal somos todos humanos e sujeitos à mudanças de humor.
    Minha filha era muito aérea, so prestava atenção ao que interessava a ela e nada mais. Mandaram para a equipe de diagnóstico e me chamaram para dizer que ela tinha alguma síndrome... Eu disse: olha a síndrome dela se chama "professora incompetente", pois ela aprende aquilo que é ensinado com criatividade. Ela nao gosta de rotina, se a professora for boa alfabetizadora ela aprende pode apostar. Mudaram-na de sala e ela se tornou a melhor aluna. E hoje ja é uma quase médica e creio que vai ser das melhores.
    Não devemos rotular ninguém mesmo, crianças ou nao.
    Beijokas doces Manoel.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Marly, muito rico este seu comentário. Veja como é importante a voz da experiência. Hoje o professor tem pouca autonomia por causa desses rótulos. Muitas vezes a pesquisa do "burro ou inteligente" é mais satisfatória para o aluno e para os pais. Imagine a coitada de uma mãe com pouco conhecimento, ser comunicada que a filha tem uma síndrome. Se apavora e já cai nas mãos de profissionais aproveitadores. Aí a menina acaba ficando com a tal "síndrome", não é?
      Doce beijo com carinho.

      Excluir
  5. Oi Manoel,

    O texto é excelente e traz uma abordagem bem oportuna.

    Realmente, não cabe rotular ou fazer pré-julgamentos, tanto com crianças como com adultos. Deve-se, sim, observar atentamente, avaliar, deixar fluir a natureza da criança. Somente em último caso deve-se buscar a ajuda de um profissional para que a criança já não fique previamente taxada disso ou daquilo.

    Obrigada por comentar no meu espaço.

    Abraço e boa-noite.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Vera Lúcia, muito bom o seu comentário. Temos que tomar cuidado com os modismos.
      Grande abraço.

      Excluir
  6. Primeiramente quero dizer que adorei o comentário da Marly Bastos!!!

    Em segundo lugar tenho uma filha que hoje completa 1a10m, super agitadinha (você acompanha, não é Manoel?!) e algumas pessoas já "tentaram" dizer que ela é hiperativa...eu digo tentaram porque vou logo cortando o assunto e dizendo que o que ela tem é saúde e energia, coisa que hoje em dia a maioria dos adultos não têm!!!!

    Lembram-se daquele velho ditado: "de médico e louco todo mundo tem um pouco"...pois então...hoje em dia eu mudaria a frase para: "de MÉDICO LOUCO todo mundo tem um pouco...rsrs

    PS.: sinta-se presenteado com os selinhos do blog, o seu é um dos meus preferidos...

    forte abraço!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Ana Claudia, seu comentário é muito importante. No fundo, no fundo, a Sofia deve se divertir com essas preocupações de terceiros, rs...rs. Dá um beijinho nela pelos 1a10m.
      Obrigado pelo carinho dos selinhos. Vou correndo lá pegar.
      Grande abraço.

      Excluir
  7. Manoel, acredito que a mídia está contribuindo, ao meu ver, de uma maneira desastrosa para isso. É como uma moda, parece que todo mundo tem que ter, sempre há algo errado, síndromes, traumas... e remédios. Quantas crianças sem necessidade estão sendo medicadas para ficarem comportadas e deixarem de ser criança.
    Beijo

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Ana Paula, você acertou na "mosca". Eu até diria que a mídia está contribuindo para comercializar síndromes, traumas... e remédios. Nada melhor que a nossa observação e acompanhamento, como tão bem você o faz.
      Beijo.

      Excluir
  8. Olha, isso me preocupa muito, e os primeiros responsáveis são os pais que querem filhos, mas não querem trabalho. Educar dá trabalho. A criança precisa de atenção, estímulo e cuidado constante, e muitos pais estão mais preocupados com outras coisas.
    Cansa, consome, mas é muito prazeroso. Infelizmente estão medicando crianças normais para que os pais e professores tenham menos trabalho.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Andrea, preocupa mesmo. Até eu não havia pensado na hipótese de comodismo dos pais. Nem dá para acreditar, não é?

      Excluir
  9. oi amigo,

    Não pude deixar de rir... Se eu fosse medicar minha filha mais velha pq era (ainda é) muito agitada tava perdida, iria acabar com o estoque de calmantes das farmácias!!!! hehehehe
    Mas falando sério agora, é complicado e difícil, pois nós mesmos crescemos com rótulos, gordo, magro, bagunceiro, timido, sempre tem um rótulo eu tive vários (e não morri por causa disso)mas vivo me policiando pra não fazer o mesmo com minhas meninas.
    E hoje em dia principalmente que a sociedade é primeira a rotular tudo,é um exercício diário, pensar no que vc fala para os filhos e principalmente rever nossas atitudes diante de nossos filhos, pois educar é dar exemplo, não é mesmo?? ixii já to fugindo do assunto... sou campeã nisso! hehehe

    Agora medicar uma criança sem necessidade, é no mínimo absurdo! Vamos deixar nossas crianças serem crianças e descobrir o mundo!!!

    bjoo amigo, linda quarta pra vc!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Sil-via, você é um amor de pessoa, rs...rs.
      Você tem razão. Estamos na era da rotulagem e se a criançada for influenciada por isso, sucumbe. Deixemos as crianças serem crianças, mesmo!
      Maravilhosa quarta para você também. Beijo grande para vocês todos aí.

      Excluir
  10. Boa reflexão!
    Gde abraço, em divina amizade.
    Sonia Guzzi

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Sonia Guzzi, obrigado por sua presença e comentário. Fico feliz com isso. Volte sempre que puder. Será um prazer para nós.

      Excluir
  11. Respostas
    1. KAT, obrigado por sua constante presença aqui. Beijo no seu coração.

      Excluir
  12. Manoel, um comentário seu, que lí há poucom em outro espaço, me
    fez "clicar" em sua foto...Aqui estou, já "devorando" seus escritos.
    Sou professora em final de carreira, oficialmente.Já não "tenho" turma. Mas, convivendo no meio escolar (público),ouço diariamente minhas diletas colegas a ROTULAREM os alunos "disso", "daquilo" e "daquil'outro" rsrs...
    Só tenho a lamentar. Parece que vivo em outro mundo.Já não "se faz" professoras, nem mães, como antigamente. Entanto, continuo dando minha contribuição, no que diz respeito à Educação e à Cultura para as novas gerações. Desejo um mundo melhor, para os nossos descendentes...
    Muito bom e oportuno, seu rico texto!

    Um abraço,
    da Lúcia

    ResponderExcluir
  13. Voltei, para uma retificação: Eu queria dizer que é muito bom o TEXTO QUE VOCÊ POSTOU, da Psicóloga Elaine Ribeiro, que foi muito oportuno compartilhá-lo aqui.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Lúcia, muito bom ter você aqui e também o seu produtivo comentário. Fico feliz por ter gostado da postagem. Volte sempre que puder.
      Grande abraço.

      Excluir
  14. Muito boa sua postagem. Inconscientemente, o rótulo que, por si só, já é deprimente, ainda pode criar problemas reais, eis que alguns decorrem de conclusões precipitadas e imaginárias.
    Meu amigo, ADOREI seu comentário sobre a interpretação de textos. Obrigada!

    Bjs.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. MARILENE, verdade mesmo. Pensar bastante antes de julgar as características de uma pessoa.
      Agradeço seu carinho do elogio. Adoro ler seus textos. São interessantes e provocam uma reflexão muito sadia.
      Bjos.

      Excluir
  15. Manoel, costumo dizer que crianças paradinhas, e quietinhas já não me passam ser um comportamento saudável.
    Tenho dois meninos de 12 e 8 anos e sempre me perguntam se dão trabalho e a minha resposta é sempre a mesma: "são crianças saudáveis".
    O que sempre me irrita é me deparar com um adulto que está sempre a recriminar o comportamento de uma criança, esquecendo que um dia já foi uma criança. E isso acontece normalmente em condomínios.
    Também tenho alguns alunos, onde os pais já chegam me dizendo que o filho(a) é impulsivo. Não vejo nada disso do que eles dizem.
    É preciso saber lhe dar com uma criança, pois ela gosta de atenção, de brincar, assistir Tv, jogar, entre outros.
    Bom, é por aí. Vou encerrar antes que vire um post.
    Me empolguei. (risos).
    Bom carnaval.
    Xeros

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Ana Karla, pois que vire um post. O importante é que seu comentário tem muito conteúdo e vai esclarecer a muitas pessoas. Sua experiência é muito importante. Seu dia-a-dia é com as crianças, não é?
      Continue empolgada!
      Xeros.

      Excluir
  16. É sim com crianças, Manoel.
    Os meus filhos e alunos.
    Valeu, obrigada.
    Xeros

    ResponderExcluir

MUITO BOM VER VOCÊ POR AQUÍ !