O noticiário vira e mexe, e a cada fato que ele trata de
espetacularizar, instiga o nosso componente emocional a ponto de nos deixarmos
conduzir exclusivamente por ele – seja pelo noticiário, seja pelo emocional, dá
no mesmo – arrastando-nos a soluções simplistas, superficiais, que menosprezam
a dignidade da pessoa.
Refiro-me a duas situações, assim tratadas: a menoridade
penal e a internação compulsória de dependentes da bebida ou da droga.
Políticos sagazes, e na proximidade do calendário
eleitoral, bradam, ora pela redução da maioridade, ora pelo aumento das sanções
aos menores infratores.
Soluções de consumo fácil, funcionalistas, mas que estão a
esconder a inoperância da gestão centrada em si mesma – a gestão pela gestão -, que abdica
de por em prática os valores humanistas da acolhida, do envolver-se com tantas
e tantos que estão à margem do usufruir os bens mais elementares do correto
viver.
Com efeito, reduzir a idade para que adolescentes sejam
criminalizados, ou que padeçam mais tempo nos depósitos em que são enjaulados, é demagogia barata, para encobrir,
repito, “a inoperância da gestão
centrada em si mesma”.
Por que os governos, sejam eles municipais, estaduais e federal,
não priorizam a educação?
Por que os governos, sejam eles municipais, estaduais e
federal, não priorizam a formação da família estável?
Priorizar a educação,
dentre possíveis perspectivas, é, concretamente:
- garantir que
o professor, em regime de oito ( 8 ) horas diárias, dedique-se, totalmente, a uma e única escola,
porque, assim, continuadamente, aperfeiçoa-se e, assim, continuadamente, não é
mero e burocrático repassador de surrados esquemas – gestor -, mas formador de cidadania
ativa para os seus alunos, pelo conhecimento e dedicação empenhada com alegria
e satisfação. É ser pastor:
o que cuida, o que está atento, o que promove o desenvolvimento integral das
aptidões válidas e úteis à formação pessoal e comunitária das crianças, jovens
e adultos que lhe são confiados.
Priorizar a família
estável, dentre possíveis perspectivas, é:
- garantir o
mesmíssimo reconhecimento tanto à mulher, quanto ao homem, em qualquer plano em
que se situem – conjugal, educacional, laboral, econômico, social, esportivo –
de modo a que se constitua, solidamente, relacionamento de inestimável
companheirismo, embasado na entrega, sem subterfúgios ou máscaras, de um para
com o outro – não há um, sem o outro
– do que naturalmente decorre a filiação, natural ou adotiva, compondo-se
vínculo íntimo e profundo de amor – a conjugalidade, a maternidade, a
paternidade e a filiação – vínculo esse que, por certo, dissipa a criminalidade
juvenil, e mesmo a adulta.
Vivenciadas essas realidades – prioridade à educação e prioridade à família
estável – por certo as medidas, ditas salvadoras, perdem todo o
sentido.
Quanto à internação compulsória dos dependentes da bebida,
ou da droga, tem-se, mais uma vez, o
rosto insensível do gestor.
Que sejam todos recolhidos, pela polícia, em camburões;
que sejam todos submetidos a tratamento de exclusiva desintoxicação, é o que se
ouve, e vê.
Tal metodologia, por óbvio, trata as pessoas, em tais
situações, como marginais; massa sem
forma, nem figura, mera massa manobrada na perspectiva de resultado
estatístico, quem sabe para escusos propósitos de obtenção de verbas
conveniadas e, de novo, fins eleitoreiros.
Todas e todos estejam no grau em que se encontrem da
capacidade de autodeterminarem-se, hão de ser conduzidos para que se sintam
diante de opção de mudança de vida,
que lhes é oferecida; hão de ser acolhidos, fraternalmente; tratados na sua
dimensão integral, pessoal e própria, o que não se concilia com
métodos de eliminação da vontade individual, o que não se concilia com a adoção
de tratamento exclusivamente médico, mas abra-se espaço para a descoberta, ou a
redescoberta, do componente espiritual em seu ser, sem qualquer proselitismo religioso.
O mal de nossos dias está, ironicamente, na solidão
coletiva do que gere.
O bem possível está, certamente, na doação comunitária do
que cuida.
* Postei porque é
assunto que entrará em discussão e tem que ser bem pensado. Nossa apreciação e
opinião é importante e deve ser respeitada. Vamos apreciar essa opinião da
postagem???!!!